Ana Botafogo, você nos representa.

26 de junho às 19:04 · Rio de Janeiro ·
Amigos, já comentei que começo meu domingo assistindo na TV Cultura ao Samba na Gamboa, seguido do Prelúdio, programa de música clássica. De 15 em 15 dias conhecemos os candidatos do Jovens Talentos, concurso para talentosíssimos instrumentistas em início de carrreira.
Hoje, para minha surpresa, Ana Botafogo compôs a mesa de jurados. Ao vê-la anunciada pelo Maestro Julio Medaglia fiquei surpresa e orgulhosa. Isso é uma legítima representante do posto de Primeira-Bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Comentando com desenvoltura e bom senso ela mostra o que muitos bailarinos não lembram, não ligam, não dão importância, ignoram, desdenham: quem representa ou pretende representar uma categoria profissional, sobretudo artística, precisa ter cultura geral. O representante do ballet não deve ser um diretor estrangeiro ou o presidente do teatro, mas suas figuras principais. É preciso conhecer seu metièr profundamente, mas também tem que ser capaz de se sensibilizar e se envolver com outras artes. Não há nada mais constrangedor do que um bailarino que não sabe se expressar, que não conhece nada além de piruetas e développés; tudo o que ouve de música erudita é compositor de ballet (em geral, acham Minkus uma maravilha); nunca ouviu falar de grandes artistas plásticos e cenógrafos que criaram especialmente para ballet.
Decididamente, a época do “bailarino não fala, dança” acabou. No mundo atual, dominado pelo universo acadêmico, é fundamental ler, conversar com pessoas capazes de transmitir algum saber a mais, seja de vivência artística, seja de saber formal, literário, acadêmico.
ANA BOTAFOGO, PARABÉNS, VOCÊ SE PREPAROU MUITO BEM PARA SER QUEM VOCÊ É. VOCÊ NOS REPRESENTA!!!Ana Botafogo,

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2 Respostas to “Ana Botafogo, você nos representa.”

  1. Demis Moretti Says:

    Perfeito Eliana! Acho um absurdo bailarinos que desdenham de outras artes (conheço muitos!) por pura ignorância, por falta de vontade e abertura ao que não está nos seus restritos círculos. Eu tenho o privilégio (vivendo a muitos anos em um país europeu) de ter a oferta diária de diferentes óperas, concertos, peças de teatro, montagens clássicas e contemporâneas, e digo com tristeza que nunca encontro nesses espetáculos nenhum de meus colegas de profissão, desinteressados de algo que não seja develope ou piruetas… não frequentam exposições, não lêem (o que é explícito nos erros crassos de português de suas redes sociais). Não estão abertos ao novo e pré julgam o que não viram. Creio, assim como você disse, que tudo vem a incrementar e melhorar nossa visão de mundo, nos fazendo não apenas melhores artistas, mas melhores pessoas. Abraços.

  2. elianacaminada Says:

    Obrigada pela visita e pelo comentário, Dennis. Um abraço.

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