ESCOLA ESTADUAL DE DANÇA MARIA OLENEWA

O coquetel comemorativo dos 90 anos da Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, que aconteceu ontem à tarde, propiciou momentos de muita alegria e emoção.

O encontro de professores, alunos, ex-alunos, de todas as gerações, ao lado funcionários, personalidades e companheiros dos corpos artísticos foi marcado pela felicidade dos reencontros.

No lindíssimo Salão Assirius do Theatro Municipal do Rio de Janeiro vivenciamos o sentimento do peso da tradição. Noventa anos não são 90 dias ou 90 meses. Quantas expressões de nossa cultura sobreviveram em nosso país por tanto tempo?

O ballet, como atividade, proporciona muitos fatos que ultrapassam a função de formar um bailarino. Se essa formação envolve uma escola como a Escola de Danças o ballet está preparando para a vida, está conduzindo os estudantes a enfrentar o mundo adulto com uma atitude de respeito e educação que deverá permanecer nas nossas relações humanas e profissionais para sempre.

Instituições como a Escola de Danças nunca mais saem da vida daqueles que por elas passaram. Juntos, parecemos todos adolescentes; individualmente, somos todos soldados disciplinados, pontuais, responsáveis. E sensíveis.

A homenagem a Lydia Costallat, nossa inesquecível diretora, foi linda e ninguém mereceu mais do que ela este reconhecimento. Os deuses da Dança fizeram com que Helio Bejani, atual diretor da Escola, um primeiro-bailarino, um bailarino oriundo da companhia para a qual a Escola foi criada, alguém ligado à Escola por vínculos artísticos, fosse o mentor desta demonstração de apreço.

Podemos afirmar sem medo de errar: Maria Olenewa fundou a Escola, Lydia a manteve viva. Quando fomos despejados, sem grandes ou pequenas explicações, pelo então presidente da Funterj Geraldo Matheus Torloni, do prédio que abrigava a Escola de Danças, a Escola de Canto Lírico e a Orquestra Juvenil, ela transmutou-se em heroína. Recusando-se a aceitar passivamente uma decisão tão burra quanto autoritária, lançou mão dos amigos da dança para manter a Escola de pé. Com a solidariedade de inúmeros estúdios de ballet particulares, designou cada turma para um lugar diferente e, percorrendo o Rio de Janeiro, da zona norte a zona sul, quase que diariamente, conseguiu coordenar as aulas e os exames, e para dar assistência a alunos, professores, pianistas e pais de alunos. Nos dias que lhe sobravam buscava um local que abrigasse a Escola. E encontrou. Foi difícil, no início, mas com a cumplicidade do seu Corpo Docente, Discente e alunos, a Escola foi introduzida em sua nova (um casarão velhíssimo) sede. Com sua luta sem esmorecimento obrigou as autoridades a reconhecer a importância de uma escola de formação de bailarinos com uma história única no Brasil.

Desde ontem, a presença de Lydia está devidamente registrada para que as novas gerações a reverenciem a cada aula, a cada dia, a cada ensaio.

E nós, eternos apaixonados pela antiga Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sentimo-nos envolvidos por uma grata sensação de felicidade, realização e sentimento de gratidão a Deus por ter colocado o ballet nas nossas vidas e a Escola no nosso caminho.

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