SOBRE UM ESPETÁCULO DO CORPO DE BAILE DO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

Eliana Caminada
9 de outubro de 2015 · Rio de Janeiro ·
Ainda sobre a noite de ontem. Atenção, não sou a dona de nenhuma verdade. Isso é apenas minha opinião, nada mais que isso. Não é uma crítica.
Antes de tudo, parabéns à companhia, ao Theatro, ao ballet do Brasil, por ter na direção da principal casa de espetáculos do Brasil Ana Botafogo e Cecília Kerche. No meio de tanta bandalheira, é um bálsamo na nossa alma.
Ages of Inoccence é um bonito ballet neoclassico. Não é uma grande criação, mas usa muito bem a companhia, e viu desempenhos excelentes do conjunto e de vários solistas. Quando começou (e mesmo lá pelo meio) lembrei-me de Dark Elegies de Antony Tudor, essa sim, uma criação, uma obra-prima. Talvez as reverences em filas, as movimentações dos casais de saias compridas. Só que Dark Elegies é profundamente doloroso e Ages of Inoccense é solar.
A 7a Sinfonia de Beethoven, com sua partitura excepcionalmente bela, é um grande ballet. Fiquei imaginando o prazer da orquestra, que tantas vezes precisa se submeter a tocar Minkus e outros menos votados, num espetáculo como o de ontem. E Uwe Sholz é um baita coreógrafo, inspirado e absurdamente musical. Puxa, como gostaria de ter tido a chance de dançar um corpo de baile como aquele. É um desafio, uma criação. Dificilimo, foi um desafio que a companhia, mais uma vez, milagrosamente, venceu.
Quando vejo o Corpo de Baile dançando sempre me pergunto, que componente subjetivo permite que, com tão poucos espetáculos, a companhia se apresente bem e consiga renovar seus elementos. Tendo a atribuir à tradição que a própria Casa guarda. Uma memória, sei lá.
O que vou falar é delicado para mim, mas convivo com críticas sem maiiores problemas. Bailarinos como Karen Mesquita, Moacyr Emannoel, Cícero Gomes já merecem o título de primeiros-bailarinos. O público já os reconhece e eles se destacam no que interpretam. E são sucessivas temporadas de qualidade indiscutível. Na minha opinião, existe um momento em que essa promoção, se não é conferida, começa a pesar na carreira do bailarino. Se se for esperar o ápice de um artista para dar-lhe reconhecimento, se impedirá, por questões psicológicas, o desabrochar total desse bailarino. Passei por isso, não sou uma pessoa falando do que nunca viveu.
Não quero esquecer de parabenizar Deborah e Raquel Ribeiro, Priscila Mota, Rodrigo Negri, Mônica Barbosa, entre outros que, certamente, estou omitindo sem querer, pela honestidade com que encaram suas carreiras. Estão em todas as temporadas e sempre se apresentam com suas melhores figuras, sempre empenhados e no melhor de suas possibilidades técnicas. Entre outros. E, que lindo ver Chico Timbó dançando, apaixonado pela dança.
No mais, é muito bom sair do Theatro com a sensação de que a companhia sobrevive, e com brilho aos maus administradores, à falta de incentivo político (refiro-me sim, à ausência de autoridades nas temporadas), ao desprezo da mídia, à falta de propaganda. E, pergunta que não cala: Se a casa não está nem meio cheia, por que ficar guardando os ingressos que poderiam, ou melhor, deveriam, ser distribuídos aos seus artistas e funcionários?

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