O artista e o bem comum

 

 


Wellen de Barros, cantora lírica do THEATRO Municipal do Rio Janeiro

 
Bem comum é algo que mobiliza e unifica uma sociedade. Ele compromete de modo universal mesmo sob modalidades específicas, seja o Estado, a Sociedade, as Associações e a Humanidade.Falar em bem comum não significa falar em uma soma de bens individuais, o mesmo em se tratando da sociedade, já que esta não é simplesmente uma agremiação de indivíduos, mas consiste na sua união.

O bem comum que se afasta do bem universal é falso na sua totalidade. Poderíamos concluir que o bem comum é a visão magnânima do bem estar essencial ao indivíduo enquanto pessoa.

Em se tratando de Trabalho –  que é trabalho? Diríamos que é a chave essencial de toda a questão social… Então podemos pensar que atualmente os dois grandes desafios que erguem ao trabalho humano são: A organização externa desse trabalho, para que seja exercido em condições dignamente humanas e a transfiguração interior, ou seja, para que sua realização aconteça em  plenitude de sentido de acordo com o seu destino último.

Em relação ao primeiro desafio pode-se dizer que vivemos em um século cuja literatura referente às normas e convenções são expressas de modo unilateral, e em relação ao segundo desafio, torna-se difícil propor como prioridade de sentido o que se entende como finalidade.

Ninguém melhor que o Artista teria capacidade de transformação radical desses desafios já citados, pois o artista possui elementos que lhe são fornecidos pela técnica, pela observação, pela inspiração, capazes de produzir uma realidade absolutamente nova. O artista – artífice  utiliza algo já existente, a que dá forma e significado.

O homem foi chamado à existência, com a tarefa de ser artífice, pois na renovação cósmica, Javé havia criado o universo e no final criou o homem, o ser mais nobre do seu projeto, a quem submeteu o mundo uma capacidade volitiva de sua criação.

Na criação artística, o homem revela-se como “imagem do criador”, e  realiza a tarefa plasmando o ser corpóreo em sua plenitude humana para depois exercer um domínio criativo sobre o que o circunda.

Ao artista humano é outorgada uma centelha da sabedoria de sua descendência do Artista divino.

A vocação especial do artista faz com que haja uma conexão entre duas predisposições: a  ética e a artística. Nem todos são chamados a ser artistas, no sentido estrito da palavra, mas todo ser humano recebeu intrinsecamente a capacidade de fazer da própria vida uma obra de arte.

Ambas dimensões – Ética e artística interligam-se de forma recíproca. Na arte encontra-se uma dimensão para um crescimento espiritual, por isto a arte ser uma história do próprio autor que a realiza. Ao falar em beleza recorre – se ao filósofo Platão que define o belo como sendo esplendor do verdadeiro e do bem.

O artista vive uma relação peculiar com a beleza. Conseqüentemente beleza combina com talento que se deve pôr a render.

Como toda vocação, mas especificamente a do artista, há um sentido de “fazer-se serviço”, doar-se ao outro.

Retomamos o nosso tema inicial porque chegamos a excentricidade, ao valor da arte que é a prestação a um serviço social qualificado ao bem comum.

O artista consciente do que faz sabe o que prevalece no âmbito do seu serviço: a responsabilidade de atuar sem deixar-se dominar pela glória efêmera. Há de certo modo uma ética, uma espiritualidade que contribui de forma direta para o renascimento de toda uma sociedade.

Qual artista não experimentou a distância infinita existente no seu trabalho –  mesmo bem sucedido –  e a perfeição fulgurante da beleza vislumbrada no ardor do momento criativo? Tudo o que se consegue traduzir desse momento, não passa de um pálido reflexo daquele esplendor que brilhou por instantes de modo palpável diante dos olhos do seu espírito.

Toda manifestação autêntica de arte é um caminho de acesso à realidade mais profunda do ser humano e do seu mundo, pois constitui um meio inefável da proximidade com a fé, onde existência – criatura encontra plena interpretação do propagar – se unidade – bem comum.

03/10/04

Referência Bibliográfica:
Carta do Papa João Paulo II Aos Artistas   Nº 167

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